quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O relógio

O relógio parou... e aquela fita branca de aspecto envelhecido não muda. As coisas que tenho feito, os olhares pela janela, tudo parado e morto. Não sei o porquê de tudo estar assim tão branco acinzentado.
Essa tarde chorei, mas não houve uma gota de lágrimas. As vezes me pergunto, e as questões que surgem não me respondem nada... o relógio...
O relógio na parede não tem mais seu tic-tac habitual, as páginas do calendário estão intactas desde o ultimo olha na janela...
A janela parece um portal para coisas desconhecidas. Nem sei direito o que estou sentindo. As vezes parece que não sinto nada. O fato do relógio parado não me deixa sentir... eu apenas penso. Mas pensar não seria uma maneira de sentir?
Nesse momento, reparei que o relógio as vezes dá um tilintar como uma taça de vinho... mas nem o vermelho vinho faz escurecer essa imensidão de brancura que me adormece os olhos. Por falar em olhos, tenho sentido como se estivesse dormindo de olhos abertos. E quase consigo me ver dormir vigilante na imensidão branca...
Tenho que me escurecer ou deixarei de ser eu. A claridade não pertence a mim, não pertence a minha natureza. Sempre tive a ideia de ser uma pessoa noturna, mas como o relógio parou, também parou de escurecer... o sol se mantém, o céu sem mantém... não há mais luar, não há mais mistério. Você levou tudo!
Não quero viver nessa claridade eterna, em que o mundo é estático. 
Um pedido deve ser feito: Volte, relógio, e me deixe escurecer!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Um céu de estrelas.

"I love you till the end."

Lembro quando olhávamos as estrelas e imaginávamos um mundo só nosso... nossas mãos sempre estivam juntas nos momentos mais sublimes, alegres e triste, amigos e cúmplices... Lembro das risadas dadas sem muito zelo, das piadas que eram engraças e sempre engraçadas até as sem graça... riamos sem motivo e nos abraçávamos só para nos sentirmos um com o outro. Lembro dos dias quentes de verão e de nossas musicas animadas, das praias lotadas e da nossa falta de grana... dos dias a pé, do sono no ônibus, do calote no cobrador. Lembro da musica que cantavas pra eu dormir, do remédio que me davas quando estava doente, dos chocolates e sorvetes quando tinha dor de garganta... Lembro ainda do amor que era só nosso, do olhar que era só nosso, dos anos que foram só nossos... Aquela musica que ouvíamos no rádio ou na TV e pensávamos ser apenas de nós dois e de ninguém mais, mesmo vendo todos ouvirem a mesma musica e dizer que eram deles e de ninguém mais. Dos sorrisos, das danças, da bagunça, do chuveiro, do rio... Hoje lembro dos momentos, não a toa... estas longe, como as estrelas que costumávamos ver e imaginar que o mundo era só nosso.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Silencio e Mundo


Foi no Silencio que percebi que ser no Mundo é difícil...
O Mundo não foi feito para pensarmos nele...
Mas ele, o Mundo... que Mundo existe em nós?
É este Mundo que quero descobrir: o Mundo da minha existência.
Do ser eu que sou e sempre serei... 
Sem saber o nada.
Foi no Silencio, que as portas se bateram e no susto do eco perdi...
O foco que traz o Silencio.
A palavra que falta.
Ah Mundo, se este meu Mundo que é meu fosse realmente meu...
Foi no Silencio.
Foi no Mundo.

Amanda Ariana.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O doce silencio que tua boca deixou na minha

Aquele doce silencio....
Foi o que deixaste quando nos despedimos, depois daquele momento inesquecível!
O doce que deixaste me acompanha desde então, e aquele silencio que se abateu em nossos olhares depois do ultimo toque, do ultimo... até breve. Nós nos entendiamos... 
Sim...
 Não fazíamos pouco caso do pouco que nos restava: o tempo. 
O tempo as vezes é cruel, mas é incrivelmente amigo na hora em que precisamos dele.
O tempo, apesar de curto quando deve ser longo, e longo quando deve ser curto... 
Foi eterno. 
A teu lado conheci lugares inusitados para alma que até então carregava. 
Me trouxeste o silencio!
E ao mesmo tempo barulho,
Das cidades, dos campos... da vida!
Aquela loucura que diz ter, e que eu percebi que se parece com a minha...
Ficou...
Naquele doce silencio que tua boca deixou na minha.

Amanda Ariana.


Teu sorriso na varanda
Teus olhos pra eu me perder...

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Publicação na Revista SAMIZDAT: Um escrito atrás do livro de Álvaro de Campos


Com prazer e satisfação informo aos queridos leitores de meu blog que há uma nova possibilidade de ler meu conto "Um escrito atrás do livro de Álvaro de Campos". Ele foi publicado na Revista SAMIZDAT, edição 39, do mês de janeiro.
Também terão a possibilidade de ler outros contos, cronicas e poemas de outros autores.
"As samizdat surgiram na União Soviética e visava contornar uma máquina de censura e exclusão, por isso, cada autor e leitor tinham a missão de fazer uma cópia dos textos e passar adiante. A SAMIZDAT também visa contornar uma estrutura excludente - o mercado literário -, que ignora e desqualifica queaquer escritor que não se enquadre em seus estritos panorâmicos"
A edição 39 vem com o tema "Como nossos pais" e pode ser baixada em formato PDF gratuitamente. Quem quiser dar uma forcinha pode comprá-la no mesmo site.
O conto publicado de minha autoria encontra-se na página 50. Convido-os também a ler toda a Revista que traz uma diversidade de obras artísticas de qualidade!

Abaixo o link para download


terça-feira, 1 de outubro de 2013

As palavras

Esqueça a palavra que te deixei atravessada goela, engole sapo...
Não me julgues que sem nome
Me chamo por outro modo
Um jeito meio cheio de fome
Olhos arregalados, coração pulsante...

Nesse momento quero ser outra

Me deixa e esqueça.

Aquela palavra seca dita com boca úmida
Sedenta a vingança da palavra.
Não me deixe na confusão enlouquecida da cidade
Me leve para um lugar calmo, perto de um riacho...

Quero me jogar,
com o sapo na goela, boca seca
E dizer palavras úmidas de amor.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O cheiro que senti no corredor hoje cedo

Passando pelo corredor, hoje cedo, senti  aquele cheiro habitual do cotidiano. Dos dias que pareciam os mesmos, das horas que  passavam depressa, e do amor que demonstrávamos apesar... 
Senti com aquele odor que exalava por toda aquela extensão de corredor, as juras sinceras, os abraços apertados e aqueles que eram, as vezes, mais de leve, num compromisso de só sentirmos aquela presença de todos os dias... 
Ao sentir aquela essência de ser, vi tua presença e me abracei nas lembranças, e fiquei a vagar pelo corredor de um lado a outro...
Vivenciei as nossas conversas nos fins de tarde, e senti aquela brisa gostosa que só sentia ao teu lado. Pressenti teus braços me envolvendo, com a precisão de uma proteção - quase fraternal - e me envolvi pelo arrepio da tua ausência.
Passando pelo corredor, de lado a outro, tentei te perceber de volta, juntamente com aquele cheiro habitual de todas as manhãs, com a brisa quente do café de logo cedo, da luz batendo no teu rosto, e aquele modo lindo de me olhar de relance e sorrir com os olhos, de me beijar com palavras de afeto, e me tocar de uma maneira tão sublime e magnífica...
Passando pelo corredor, hoje cedo, senti  a tua essência de felicidade ainda entranhada nas coisas, naquilo tudo que deixaste pra mim, sem me dar a oportunidade de esquecer, nem que fosse por um minuto sequer...

Pra guardar esse momento, mais que um bocadinho, imersa nas minhas lembranças, sentei no corredor e fiquei a chorar baixinho, sentindo suas mãos enxugarem as minhas lágrimas.