quarta-feira, 20 de março de 2019

Sobre inundações e desaguares...


Água
elemento essencial
escorre litros dos olhos
aos montes no meu rosto em dias quentes
Água
que em 70% me faz
o que sou
o que fui
Água
ela aqui
me dá
me doa
continuo vida
sobe desce
A cada lua diferente
desagua de mim mesma...
viro mar, igarapé
doce, salgada
nesses dias tenho sido água
Água-viva
dessas fluidas
dessas que seguem
Água corrente
Água..
sólida só... líquida ali... gasosa fugaz...
Água apenas...
flui... fluir desaguar...
me derramar.

terça-feira, 12 de março de 2019

Ser mãe dela

Olha como ela tem olhos tão castanhos...
olha só!
ela sorri com teus olhos e te beija com paixão!
é dela os encontros da tua voz e da tua vida...
ela...
minha pequena preta pretinha!
Ela corre, pula, dança...
ela escorrega, gargalha e chora.
me diz que tem fome e gosta da minha zanga!
Grita, faz beicinho e me alenta!
Me encontra em dias bons e ruins.
me chama pra brincar de roda, de pique, de bola!
O que eu faço afinal?
Viro criança de novo,me sujo, finjo arroto. a gente se ama e é natural e bom.

O amor que já iniciou imenso,
desses dias que já iniciaram intensos...
ela é minha: minha pequena.
No sabor de ser ser mãe dela!

sábado, 18 de julho de 2015

Olhos de ressaca

Ler Machado sempre fora em mim um escape... sobre mim e em mim. Sinto, em suas obras, o que de mim não sei explicar, não sei exprimir!

Hoje eu tô de ressaca.


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Recado à desilusão

Não sei demonstrar o que sinto
Não sei escrever
sempre metida a ler literatura
vejo que não sei Nada, 
que não aprendi

De que vale ter tantos livros
se não me ajudam a viver?
De que vale se não sei viver?

Olho o fim da manhã
e os pássaros a cantar
Para quê?
A única coisa que sei
não sei dizer

Sou a incompreendida
e o incompreensível
Vivo a questionar...

Achei, em dado momento, saber
Porém, mais uma vez, deparo-me com a decepção
Só que dessa vez é diferente
A decepção parte de mim
e apenas eu posso mudar o que está decepcionado

Ah, vida incompreensível
Se não fosses tu, linhas no papel em branco
Creio que teria desistido de mim.

sábado, 20 de junho de 2015

Certa manhã

Se eu chegasse a considerar a manhã igual a todas as outras, onde estaria aí a verdade?
Tenho visto coisas que realmente me alegram. Mas a alegria é um estado de alma, e passageiro e fugidio como todas as coisas são...
Acordei como de costume: do nada... no clímax do sonho: quando saberia a segunda Verdade. E a primeira, já não me lembro.
Pessoas morrem por verdades incontestáveis. No entanto, amar é uma verdade incontestável...
Esquecemos o Amor. Amor é uma Verdade....

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A mosca



Em 24 de janeiro de 2010

Tempo, expressar meus sentimentos.
O que sinto? Meu coração....
Viver longe do que pensas
Existência.
Esse  zumbizar...
A me atordoar....
Coração despedaçado.
Queria, eu, poder amar livremente
Queria... não posso?

A vida entre aspas
Minha existência...
Loucura próxima
Surtos pródigos
Esse Zumbizar....
Minha mente.
Mosca do consciente!

Ler o amor



Escrito em 12 de março de 2010

Quantas são as letras do alfabeto do corpo amado?
Como soletrá-lo?
Como sabê-lo na ponta da língua? 
Tem 24 letras? 
Quantas letras estranhas,
estrangeiras nesse corpo.
Como achar o ponto G na cartilha de um corpo?
Quantas novas letras podem ser incorporadas nesta interminável e amorosa alfabetização?
Movido pelo amor, pela paixão, pode, o corpo, falar idiomas que antes desconhecia?
Cansaço....

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Dia de alguém que não importa

Hoje é um dia, como aqueles em que tu sai e voltas para casa esperando algo. No meu caso eram apenas tapiocas com café. Nem sei, ao menos, se buscava isso. Mas está bom, por hoje. 
O mundo aqui fora anda meio louco. O que me conforta é que ele sempre fora assim e nada, absolutamente nada mudou ou mudará.
Vez ou outra uma pessoa nova aparece. E ela vem aqui para conversarmos. Talvez coisas triviais do tipo "Aceita um copo d'água?", "Está gostando da cidade?" e afins... Não espero muito das pessoas. Não mais. Já esperei tanto delas... hoje sou como quase uma observadora do comportamento humano (muito embora eu também seja humana e observe meu próprio comportamento).
Nessas andanças de ônibus pela cidade, eis-me o espanto: "ela ainda é a mesma!"
Não importa o tanto que se busque, nunca há um final, a não ser no derradeiro destino do fim. Nem sei o porquê de isso ter me vindo a mente nesse momento...
Os meus pensamentos se misturam, as vezes, mas a vida é assim, não é mesmo? Um emaranhado de pensamentos avulsos que tentamos colar com a razão?
Já me perdi e ainda não me achei... Não foi a viagem do ônibus apenas, o espaço-tempo me encolhe e se recolhe a todo o instante... Talvez eu nunca me ache!
Eis os motivos da minha não esperança na humanidade...

terça-feira, 12 de maio de 2015

Conto inacabado

Um esboço de lembrança ou nada disso


A vida, meu bem, também é dormir!


Imagens em corte. Era apenas isso que lembrava Irene. Sem nem ao menos saber se o que lembrara era realmente o que acontecera. Nem ao certo tinha convicção se o que estava a pensar realmente era lembrança ou algo criado por si mesma no momento de aflição.


Irene tinha imaginação fértil, acometera em alguns pensamentos em revelia, nem sabia ao certo se era mesmo essa a quem chamavam por seu nome. Talvez houvesse um só momento em que este acaso de confusão a fizera. Não entendeu se se fez Irene ou era apenas nome de batismo. No entanto, sua dificuldade em entender os pensamentos, fossem eles reais ou não, não a impedira de pensar.


Cheguemos, portanto, ao fato propriamente dito: Ao ser acordada pelo namorado, Irene ficou espantada. Ele relatou o seguinte fato: Saíste pela porta, com a roupa de dormir. Chegaste à portaria e nem disseste nada. Saíste em direção ninguém sabe onde, salvo algumas imagens suas pela madrugada em cinco lugares diferentes, na cidade...”


E dito isso, calou-se esperando algo que deveria ser dito e não foi. O momento de apreensão se tornou maior ao passo que o silencio tomava conta do ambiente. O homem um tanto quanto estupefato pelo silencio ensurdecedor do lugar, lembrara, de ouvir certa vez que não há nada mais barulhento e ensurdecedor que o silencio.


Saiu.


Irene então suspirou, como se houvesse prendido a respiração por muito tempo, tempo este em que o namorado se encontrava a seu lado. Não se deu conta de que estava a sujar a cama com as sandálias cheias de barro fresco, nem de que estava a transpirar como se houvesse feito longa caminhada...


Fora de seus ouvidos e longe de sua presença, todos estavam abismados a comentar o ocorrido da noite medonha. Houve quem dissesse que estava possuída por forças mal-intencionadas, a ponto de levá-la a morte ou a qualquer lugar pior que o inferno. Outros afirmaram com veemência que, apesar de não esboçar qualquer fala dava uns suspiros, quase como gemido de dor, coisa espantosa visto que não parecia nem dormindo, nem acordada. Apesar do fato insólito, muitos deram explicação nem tão científicas, nem tão ignorantes, “Apenas uma sonambula, isso é normal!, afirmou o porteiro do prédio, ao que as beatas ouviam já de terço na mão, quase certas que o padre precisaria de ajuda para o exorcismo que se anunciava.


No entanto, Irene em nada se atemorizava. Longe de todos, ainda na claridade da manhã, no quarto, finalmente se deu conta de que estava a sujar toda a cama e a si mesma, e num lapso lembrou-se de que sonhara a noite passada que passava por um matagal, às escuras, a procura de sei lá o quê, ou de sei lá quem.


Imensa manhã


No começo, tudo parecia muito estranho. Não tinha mais medo, apesar da loucura que havia sido aquela noite. Seus pensamentos um tanto quanto confusos, e um cansaço mais descomunal como de costume... seus olhos ardiam, sua cabeça doía... uma dor insuportável parecia tragá-la por completo... no entanto, Irene não conseguia chorar, nem rir... Eram sentimentos confusos e ininterruptos, uma sensação sufocante...


Seu namorado não entendia muito bem, mas apesar de tudo tentava compreender... mesmo não sendo o melhor dos homens, buscava ser o melhor para ela. De nada adiantava, no entanto.


Enquanto isso, o murmúrio de pessoas no prédio aumentava... já era possível ouvir a preparação do exorcismo, apesar na distancia da casa com a guarita... todos comentavam que era necessário ser algo urgente e inevitável.


Porém, Irene, apesar do mal-estar aparente, não se sentia tão mal assim... apenas a confusão do quarto lhe deixava mais e mais confusa com o turbilhão de informações desencontradas da noite sinistra...


Toca a campainha...


Irene, sozinha, abre a porta e como num jato lhe vem, aos olhos, a água benta... Tudo aquilo lhe dava a sensação de estranheza, mais profunda que, até então, a noite lhe causara... e começou a agitar-se como se o próprio demônio e suas legiões estivessem entrado em seu corpo... No entanto não tinha vozes mil, nem subiu pelas paredes como nos filmes de exorcismo que assistira na infância... apenas ficou com medo, um medo sincero de que aquilo fosse, de algum modo, lhe fazer mal... e quanto mais tentava sair dali, mais se envolvia no enredo das possessões.


- Aqui, Cristo não está!


O encontro


Irene não se reconheceu ao olhar-se no espelho. Tinha medo de si mesma. Parecia outra pessoa triste a olhar para ela. Percebeu que é muito triste ter pena de si mesma...


A cidade a sufocava e isso sempre fora um problema. Mesmo que o problema fosse algo um tanto quanto fugaz. O coração batia, sentia seu coração... mas morria um pouco todos os dias. O que seria a vida senão isso: Uma morte?!


Se ouvia vozes ou se eram as vozes que a ouviam, não sabia.. sentia mais medo que desespero, ou, as vezes, o reverso. Os ruídos cada hora mais rápidos, as horas seguindo cada vez mais depressa... o ouvido que dói e cala naqueles momentos de angustia parecem lhe reprimir mais e mais... nunca percebera que já estava condenada a buscar aquilo que não se sabe, aquilo que morre dentro da gente todos os dias...


- A loucura não é pior dos males... encontrá-la, certamente é a maior benção do universo! E digo com sinceridade: Sei a verdade e sou feliz!



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O relógio

O relógio parou... e aquela fita branca de aspecto envelhecido não muda. As coisas que tenho feito, os olhares pela janela, tudo parado e morto. Não sei o porquê de tudo estar assim tão branco acinzentado.
Essa tarde chorei, mas não houve uma gota de lágrimas. As vezes me pergunto, e as questões que surgem não me respondem nada... o relógio...
O relógio na parede não tem mais seu tic-tac habitual, as páginas do calendário estão intactas desde o ultimo olha na janela...
A janela parece um portal para coisas desconhecidas. Nem sei direito o que estou sentindo. As vezes parece que não sinto nada. O fato do relógio parado não me deixa sentir... eu apenas penso. Mas pensar não seria uma maneira de sentir?
Nesse momento, reparei que o relógio as vezes dá um tilintar como uma taça de vinho... mas nem o vermelho vinho faz escurecer essa imensidão de brancura que me adormece os olhos. Por falar em olhos, tenho sentido como se estivesse dormindo de olhos abertos. E quase consigo me ver dormir vigilante na imensidão branca...
Tenho que me escurecer ou deixarei de ser eu. A claridade não pertence a mim, não pertence a minha natureza. Sempre tive a ideia de ser uma pessoa noturna, mas como o relógio parou, também parou de escurecer... o sol se mantém, o céu sem mantém... não há mais luar, não há mais mistério. Você levou tudo!
Não quero viver nessa claridade eterna, em que o mundo é estático. 
Um pedido deve ser feito: Volte, relógio, e me deixe escurecer!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Um céu de estrelas.

"I love you till the end."

Lembro quando olhávamos as estrelas e imaginávamos um mundo só nosso... nossas mãos sempre estivam juntas nos momentos mais sublimes, alegres e triste, amigos e cúmplices... Lembro das risadas dadas sem muito zelo, das piadas que eram engraças e sempre engraçadas até as sem graça... riamos sem motivo e nos abraçávamos só para nos sentirmos um com o outro. Lembro dos dias quentes de verão e de nossas musicas animadas, das praias lotadas e da nossa falta de grana... dos dias a pé, do sono no ônibus, do calote no cobrador. Lembro da musica que cantavas pra eu dormir, do remédio que me davas quando estava doente, dos chocolates e sorvetes quando tinha dor de garganta... Lembro ainda do amor que era só nosso, do olhar que era só nosso, dos anos que foram só nossos... Aquela musica que ouvíamos no rádio ou na TV e pensávamos ser apenas de nós dois e de ninguém mais, mesmo vendo todos ouvirem a mesma musica e dizer que eram deles e de ninguém mais. Dos sorrisos, das danças, da bagunça, do chuveiro, do rio... Hoje lembro dos momentos, não a toa... estas longe, como as estrelas que costumávamos ver e imaginar que o mundo era só nosso.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Silencio e Mundo


Foi no Silencio que percebi que ser no Mundo é difícil...
O Mundo não foi feito para pensarmos nele...
Mas ele, o Mundo... que Mundo existe em nós?
É este Mundo que quero descobrir: o Mundo da minha existência.
Do ser eu que sou e sempre serei... 
Sem saber o nada.
Foi no Silencio, que as portas se bateram e no susto do eco perdi...
O foco que traz o Silencio.
A palavra que falta.
Ah Mundo, se este meu Mundo que é meu fosse realmente meu...
Foi no Silencio.
Foi no Mundo.

Amanda Ariana.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O doce silencio que tua boca deixou na minha

Aquele doce silencio....
Foi o que deixaste quando nos despedimos, depois daquele momento inesquecível!
O doce que deixaste me acompanha desde então, e aquele silencio que se abateu em nossos olhares depois do ultimo toque, do ultimo... até breve. Nós nos entendiamos... 
Sim...
 Não fazíamos pouco caso do pouco que nos restava: o tempo. 
O tempo as vezes é cruel, mas é incrivelmente amigo na hora em que precisamos dele.
O tempo, apesar de curto quando deve ser longo, e longo quando deve ser curto... 
Foi eterno. 
A teu lado conheci lugares inusitados para alma que até então carregava. 
Me trouxeste o silencio!
E ao mesmo tempo barulho,
Das cidades, dos campos... da vida!
Aquela loucura que diz ter, e que eu percebi que se parece com a minha...
Ficou...
Naquele doce silencio que tua boca deixou na minha.

Amanda Ariana.


Teu sorriso na varanda
Teus olhos pra eu me perder...

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Publicação na Revista SAMIZDAT: Um escrito atrás do livro de Álvaro de Campos


Com prazer e satisfação informo aos queridos leitores de meu blog que há uma nova possibilidade de ler meu conto "Um escrito atrás do livro de Álvaro de Campos". Ele foi publicado na Revista SAMIZDAT, edição 39, do mês de janeiro.
Também terão a possibilidade de ler outros contos, cronicas e poemas de outros autores.
"As samizdat surgiram na União Soviética e visava contornar uma máquina de censura e exclusão, por isso, cada autor e leitor tinham a missão de fazer uma cópia dos textos e passar adiante. A SAMIZDAT também visa contornar uma estrutura excludente - o mercado literário -, que ignora e desqualifica queaquer escritor que não se enquadre em seus estritos panorâmicos"
A edição 39 vem com o tema "Como nossos pais" e pode ser baixada em formato PDF gratuitamente. Quem quiser dar uma forcinha pode comprá-la no mesmo site.
O conto publicado de minha autoria encontra-se na página 50. Convido-os também a ler toda a Revista que traz uma diversidade de obras artísticas de qualidade!

Abaixo o link para download


terça-feira, 1 de outubro de 2013

As palavras

Esqueça a palavra que te deixei atravessada goela, engole sapo...
Não me julgues que sem nome
Me chamo por outro modo
Um jeito meio cheio de fome
Olhos arregalados, coração pulsante...

Nesse momento quero ser outra

Me deixa e esqueça.

Aquela palavra seca dita com boca úmida
Sedenta a vingança da palavra.
Não me deixe na confusão enlouquecida da cidade
Me leve para um lugar calmo, perto de um riacho...

Quero me jogar,
com o sapo na goela, boca seca
E dizer palavras úmidas de amor.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O cheiro que senti no corredor hoje cedo

Passando pelo corredor, hoje cedo, senti  aquele cheiro habitual do cotidiano. Dos dias que pareciam os mesmos, das horas que  passavam depressa, e do amor que demonstrávamos apesar... 
Senti com aquele odor que exalava por toda aquela extensão de corredor, as juras sinceras, os abraços apertados e aqueles que eram, as vezes, mais de leve, num compromisso de só sentirmos aquela presença de todos os dias... 
Ao sentir aquela essência de ser, vi tua presença e me abracei nas lembranças, e fiquei a vagar pelo corredor de um lado a outro...
Vivenciei as nossas conversas nos fins de tarde, e senti aquela brisa gostosa que só sentia ao teu lado. Pressenti teus braços me envolvendo, com a precisão de uma proteção - quase fraternal - e me envolvi pelo arrepio da tua ausência.
Passando pelo corredor, de lado a outro, tentei te perceber de volta, juntamente com aquele cheiro habitual de todas as manhãs, com a brisa quente do café de logo cedo, da luz batendo no teu rosto, e aquele modo lindo de me olhar de relance e sorrir com os olhos, de me beijar com palavras de afeto, e me tocar de uma maneira tão sublime e magnífica...
Passando pelo corredor, hoje cedo, senti  a tua essência de felicidade ainda entranhada nas coisas, naquilo tudo que deixaste pra mim, sem me dar a oportunidade de esquecer, nem que fosse por um minuto sequer...

Pra guardar esse momento, mais que um bocadinho, imersa nas minhas lembranças, sentei no corredor e fiquei a chorar baixinho, sentindo suas mãos enxugarem as minhas lágrimas.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

A Presença do Verde

Tudo verde. Um verde escuro... musgo. Onde estou? Está tudo tão escuro... verde escuro musgo. Paredes pintadas. Uma família pintada na parede, dadas as mãos. O pai com uma camisa e o símbolo da paz. Onde está a paz, se tudo que vejo é verde, verde escuro musgo.
Gritos, esses gritos que habitualmente chamam silêncio, choram pela madrugada. E ela ali, sem sonhos deitada numa cama... que incrivelmente é verde, verde escuro musgo. Não sabe por que esta presa num lugar verde como esse... e essas pessoas de verde?
- Você tem medo das pessoas de verde? Pergunta alguém diante de uma pergunta fugaz e insistente.
- Vocês não vão tirar a minha família de mim, né? Sem eles eu morreria... sem eles eu morro!!!
Há tristeza nas manhãs que geralmente são verdes... porém o céu lá fora é magnifico e lindo, de um incrível azul que contrasta com o imenso verde... verde escuro musgo. Dias de agonia. Como ela foi parar ali? Sem entender, sem se ver e ser vista!
- Meus amigos... onde estão e por que essas paredes são tão verdes???
Na verdura da imensidão do quarto, sozinha num ponto verde mais claro, mais calmo ouve-se os gritos que tem as ondas verdes, habituais e incessantes como o medo, que na imensa verdição é verde, verde escuro musgo... Nem em momentos tão intensamente verdes, ela lembrava-se de tanto verdor assim... Essa cor que lhe acompanha e lhe enlouquece.... Esse verde que não lhe larga e quase lhe entristece...

Longe de tudo, longe das cores que só na rua se encontram.... Essa cadeia verde, com pessoas que se vestem de verde... Um lugar verde... Medo verde! Sem esperança, que por sinal é verde!

terça-feira, 30 de julho de 2013

Um escrito atrás do livro de poesias de Álvaro de Campos

Foi folheando o livro de Álvaro de Campos – costume bobo de querer ler tudo olhando só de relance – que vi o que, até então, não pensava.
Gosto de ler o que as pessoas escrevem em livros, acho interessante.  A graça de se comprar livros usados vai além da economia. As vezes tenho o costume de comprar livros velhos pra sentir a poeira de outra casa, de outra vida, imaginar as mãos que os tocaram, quantos gostaram e quantos os desprezaram... o certo, e por isso mesmo prazeroso de se ter livros usados, é nunca poder descobrir isso...
Certa vez, parei em frente a um Sebo, esses lugares que vendem livros usados, e como perto de lá havia uma árvore linda, com uma copa sombreada, resolvi sentar-me  em baixo dela  e observar as pessoas com os livros. Tinha o olhar quase como de um cientista, mas profundo como de um poeta. O interessante do Sebo é que este era todo vidraçado, e por conta disto, podia ver todos as pessoas juntas, num lugar pequeníssimo e cheio de livros. E mais curioso ainda, por conta do reflexo nos vidros, podia ver rostos em cima de rostos, expressões faciais em cima das outras, cores difusas aparecendo e desaparecendo pelo sol que ora aparecia e percebi....
Não percebi!
Fiquei a olhar, e querendo ver tudo, não vi nada...
Não percebi....
Então entrei na lojinha envidraçada e comprei um livro... e pela primeira vez não o folheei como de costume e nem fiquei na duvida... Vi o livro de poesias de Álvaro de Campos e levei pra casa.
Quando chego em casa com livros que nunca li ocorre quase um ritual. Pego as chaves de casa, cuidadosamente, abro a porta discretamente. Passo pela sala, pela cozinha, olho o banheiro, o quarto, abro todas as janelas e contemplo a cidade – as vezes tenho a impressão de ver toda ela de cima da minha casa, e me encanto mais e mais de ver e ouvir todos os sons que a cidade no seu vigor tem . Entro no quarto, retiro o livro da sacola e o contemplo por alguns segundos deixando-o na cabeceira... Tomo um banho, daqueles que tiram todo o cansaço e o peso de todos os olhares, e esquece-se todas as amarguras, e abandona-se todos os achismo... molho os cabelos com toda a liberdade que a água ao cair no rosto proporciona... banho-me como que caísse em um rio límpido e belo. Enxugo-me devagar, e busco a roupa mais leve e macia para usar. A sensação de retirar todas as impurezas nos dá alivio e sensações indescritíveis.
Sento-me a cama e  pego o livro e.... o folheio...
Folhear o livro de Álvaro de Campos foi diferente, não houve pensamentos que me aturdissem, não houve tentativas de descobertas... Não tentei imaginar seu antigo dono, nem como este o lia, nem como ele o pegava, se ele o inspirava, se era para estudos.... Vi escritos apenas em cima e aos lados dos poemas, dos versos, das palavras como se fosse uma cópia de tudo ali escrito... E me aturdi com o mais improvável... um escrito atrás do livro de Álvaro de Campos... Quase que o inicio de um poema...  Não pensei, e vi

De repente tudo se és... vai
E tudo perde sem.... tido
Como se nunca houvesse existido
Mas recordo o gosto de algo
De um não sei o quê
Apenas vivi intensamente
Nunca deixará de ser Real.


- Fechei o livro e nunca mais dormi!

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Votre image

Agora dei de me achar fotógrafa....
                     e te congelar de formas cuidadosamente fotometradas 
com filmes a rolarem, na minha câmera analógica.
Agora que me acho meio artista, 
meio poeta, 
meio tida as maravilhas das artes, 
tenho medo
de funcionalizar a tua imagem, 
e esquecer tua figura...
Tenho medo de esquecer a fotografia 
                                                                                 ...e deixar de congelar a nossa lembrança de vida!
                                                                                                  Agora que dei de me lembrar de ti, 
                                                                                todas as noites antes de acordar (dormir), 
.....
te fotografo nas minhas lembranças 
meio 
sonhos e desejos e revelo a...
saudade 
que sinto de ti!

sábado, 27 de abril de 2013

É o que temos: Bárbara Eugênia

A melhor cantora da atualidade com musicas que valorizam sua voz autentica e sublime... é o que  temos pra falar do novo álbum de Barbara Eugênia, que traz um título irônico, que mistura um quê de  "se gostar ótimo, senão paciência". Mostra, e consegue, um tom despojado e leve misturados com a voz rouca e suave de Barbara que dão a liga para o que temos de melhor: Boa música!!! (Mundo de coisas confusas a respeito do mundo musicado de Barbara)

A seguir, uma resenha do disco retirada do site Monkey Buzz.
Link: Monkey Buzz



Três anos depois do pontapé melancólico iniciado com o disco Journal de BAD, lançado oficialmente em 2010 e envolto numa carga sentimental enraizada em reflexões dolorosas, o retorno de Bárbara Eugênia com É O Que Temos opta por um viés positivo, ainda que agregado a um título de interpretação dúbia. No entanto, a cantora original de Niterói e de histórico nômade vem munida de um belo sorriso de canto gratuito, e agora mostra saber porque nem todos os dias são de sol. E tudo bem se tudo seguir assim.
Trazendo produção de Edgard Scandurra e Clayton Martins (da Cidadão Instigado), Bárbara promove suas baladas românticas através de letras que variam entre a paixão plena, a falta da mesma e até o meio termo entre os extremos. A cantora vem flexível e traduz como os cotidianos amorosos funcionam também longe das escritas poéticas de uma composição, uma rotina musicada que não pede licença pra ser como é: Cambaleando de forma frequente entre o drama existencial e o realismo intríseco.
Eugênia traz em sua nova fase, referências locais que são facilmente assimiláveis, como o último lançamento de Céu, Caravana Sereia Bloom, e também transpõe-se a vertentes setentistas, que facilmente são notadas em diferentes momentos de seu segundo registro. A própria estica-se até a sensualidade velada que ressoa do projeto paralelo Les Provocateurs junto a Scandurra, entoando traços da sedução lírica de Serge Gainsborug em sua própria interpretação abrasileirada mesmo que trazida em versos franceses.
Se em Coração não há mais solidão, na versão adaptada de Porque brigamos (I Am...I Said) meio Jovem Guarda de Rossini Pinto e Diana, meio Neil Diamond de 72, os teclados e o arranjo plenamente embebido da música brega ressoam a carência em um hino bailado e simples dançado a dois. As confissões expostas de Roupa Suja com a participação de Pélico trazem saudades do disco Que Isso Fique Entre Nós, um material que transita na mesma rodovia da carioca. Mesmo poliglota entre o Folk semi-acústico inglês (I Wonder) e a psicodelia sofrida em francês (Jusqu´à la mort), a cantora mostra instinto safo e segue coesa ao seu ideal de que no final tudo acaba bem. Ou pelo menos deveria.
Já aquietada em São Paulo, a musicista resume em suas onze composições pinceladas de pontos altos e baixos da vida de uma incorrigível romântica, que divide seus ávidos pensamentos irracionais com o bate-ponto e cumpre-aviso da vida adulta de uma maneira sublime e nada caricata. Tais medidas dão a devida vazão buscada, provando que agora é o momento exato para a ascenção da cantora em sua carreira.



Agora, pra você que quer ouvir o álbum, eis o link para download grátis: