quinta-feira, 7 de março de 2013

O essencial é não-ser


O essencial é não-ser
Não-ser o que se é
nem ser o que se mostra

O essencial é não engolir e cuspir as entificações que foram doadas e impostas
É ser o que não é
Não dizer o que se é
Nem perguntar o 'porque sou'

Possibilitar o não-ser
O não imaginável e não-ser
Não-ser o que pode ser
Não pensar o que se é
E nem pensar o que é 'o outrem'

Eu sou o que não sou na possibilidade de ser o que posso ser
Possibilitar a impossibilidade de ser
Não-ser.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Bifurcação do meu ser.





Para Você!
Amor, amante... minha essência bifurcação do meu ser.








Já sei o que tu és.... 
Acabei de classificar: és uma bifurcação de mim! Um eu que nem sabia que existia.... 
Tu és o meu reflexo no espelho, reverso e semelhante ao mesmo tempo!!!
Por isso não podemos viver um sem o outro, pois somos uma dobra de um ser, não o ser habitual que se refere ao ente, mas uma busca do ser dos entes, como algo que continua sendo, que se manifesta e se vela!
Sempre foste um mistério pra mim!
Quando te vejo, leio seu olhar como palavras que me respondem e logo me perguntam quem sou.... O que sou afinal se não tu! E tu me és, meu mistério.
Somos o complementar!
Suponhamos que eu seja a tua essência e tu sejas a minha, e vivamos no eterno jogo da aparência e essência, longe daquilo que nos completa: Nós mesmos!

Amanda Ariana.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Lembrar de ti

Bebi, amor.
Bebi pra me lembrar de te esquecer.
De te perder de mim
De me libertar da vida-amor.
Há vida naquela habitual certeza de te querer.
Querer. Te esqueci.
De me perder de ti.
Embriagada da ebriedade do amor
Que me deste e me entregaste de alma e espírito.
Bebi o amor.
Bebi pra me lembrar que te esqueci.
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sr.ª A.


As vezes tenho a necessidade de olhar para o nada, para ver se reconheço o Nada... o Nada na sua mais plena ausência, na sua completa falta de existência.
Ainda não aprendi a entender a falta de algo, não aprendi a me encontrar na completa ausência... talvez seja essa a explicação de ter passado tantas noites em claro! A possibilidade de encontrar o grande Nada, que é o sono, me amedronta de tal forma, que  decidi, na inconsciência de mim mesma não dormir!
Outro dia me peguei pensando em controlar meus sonhos, mas ai, eis a grande questão da minha existência: não entender nem tentar controlar.
Minha vida é o grande mistério, é o mito, é o inesperado, o incalculável, o infinito das estrelas em suas infinitas galáxias. Desfazer-me de tudo isso seria como a morte... esta sou eu, a Sr.ª A. A mulher das questões, que não encontra um sentido, apesar de as vezes achar que havia encontrado.
No emaranhado das duvidas, dos receios correntes, das interrogações, eu me nego e tão logo me nadifico, torno o Nada o grande ser que habita dentro da casca de Sr.ª A. Este ser necessita, pois, que permaneça na imensa plenitude do que se faz Nada. O Nada... o vazio, o obscuro, serei eternamente ser, indo.... grande questão!



A hora de viver é tão infernalmente inexpressiva que é o nada. Aquilo que eu chamava de ""nada" era no entanto tão colocado a mim que me era... eu? e portanto se tornava invisível, e tornava-se o nada. As porta como sempre continuavam a se abrir." 
Clarice Lispector - A Paixão segundo G.H.

sábado, 6 de outubro de 2012

O suicídio dos peixes.


Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes... tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurra de um penhasco que eu vu dizer:- E daí? Eu  adoro voar! Não me deem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre.” Clarice Lispector

Eu não tenho um nome. Meu desafio sempre se consistiu em buscar a mim, mas não partir de mim mesma, mas a partir de você!
Quando te olhei nos olhos a primeira vez senti um vento acolhedor que me envolvia tão depressa que me fez sentir medo! Não aquele medo, que todos nos conhecemos, em que a gente olha e sente um frio, as mãos suadas, uns calafrios... era algo bem mais subjetivo, bem mais diferente do medo habitual. Era um frio da alma, não do corpo.
E nessa tentativa de me descobrir, eu te encontrei enquanto você tentava esquecer um outro alguém e de repente o amor nos inundou como num navio muito pesado naufragando, mas nosso naufrágio era ao contrário, não era para o fundo, era para o ar.... O suicídio do homem sempre é para as profundezas... dos peixes são para o céu. Queria ser como um peixe, e poder morrer subindo, flutuando no céu.... e não caindo nas profundezas...
Não quero dizer que nosso amor foi como morte, ao contrário, ele nos trouxe uma vida que os outros não estão acostumados a ver! E quando, vira e mexe olho pra você, tentando não sentir essa paixão que tenho agora, igual quando te vi a primeira vez, sinto que de fato quero esquecer esse amor, que me fez bem. Eu não nasci pra me sentir bem, eu não nasci pra ser feliz, nem pra me encontrar! Você fez me ver, e eu... sumi, me escondi na concha que outrora era o melhor caminho... mas insistente, você foi lá, cutucou e cutucou e eu tive de sair e me mostrar! Não pense que foi uma saída fácil, ao contrário, encontrei monstros e fantasmas horríveis... SOBREVIVI!
Quero apenas que saibas, meu bem, que esse suicídio ao contrário, tal qual como os peixes fazem, me fez ressuscitar da forma reversa... pois eu sou uma viva – morta!!!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Não Tenho.


Não, eu não fiz nada pra merecer isso... nada que você diga vai fazer eu esquecer.. quando estamos frente a frente com os nossos monstros, dizem que é mais fácil lidar! Comigo não foi bem assim... as paredes pareciam me engolir e o aviso de incêndio que derretia naquela parede me fez entrar em desespero!
Tentei fugir, tentei sumir, tentei olhar o céu, sentir as gotas da chuva, o sol que batia em meu rosto todas as manhãs... eu não fiz nada disso e não vou te perdoar, não vou me perdoar? Te perdoar, me perdoar, chegar, achar.... VIDA!
A vida que levei se foi, hoje levo outra que meu coração não sabe ao certo se é verdadeira!
Essa noite tive um sonho/pesadelo, e sonhando pesado vi que não havia dormido, caminhei num caminho turvo e diferente do habitual... aqueles gritos, aquele pavor... o que é o medo???
Certamente você talvez não saiba o que eu fiz para perder o que me causava desespero... não,  eu não vou esquecer... Dizem que quando uma ferida está aberta e ela não cicatriza, o sinal é de que você está doente... não me sinto doente, mas há uma ferida corrosiva que me adentra sem espaço pro AMOR!
O amor que eu vivi está longe agora, e se tudo que escrevo hoje nessa conotação medíocre não houver uma só pessoa que a veja, pouco importa... meus fantasmas e monstros morrerão e ninguém.... ninguém morrerá comigo!
Acho que estou com sono.
A cama nunca esteve tão fria... um vazio que sinto mesmo quando estou perto de encontrar um caminho confortador. Aquela simplicidade que via, agora está distante... não pareço compreensível, não pareço estar em mim!
Esse lugar é pior que a cadeia... se entra e se perde! Os escritos nas paredes sempre me ajudam a encontrar um refúgio que é só meu!
A água que por ora batia no telhado secou... não tenho sentimentos, não tenho amor...
Não tenho.
A quem eu quero esquecer.


"O buraco do espelho está fechado
Agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto e outro acordado
no lado de lá onde eu caí
Por lado de cá não tem acesso
Mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some
a  janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve
Já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
Vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada
O buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora."
O Buraco do Espelho - Arnaldo Antunes.



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

E se não houvesse amor?


Errado seria se não houvesse amor... se aquilo tudo que um dia te disse fosse mentira deslavada... Talvez hoje acho isso possível! Pois ao olhar o sorriso que outrora me fazia levitar, não sinto meu coração como era quando olhava-os! Mas tudo que eu faço é por amor e por amar demais, ou amar a mais é que meus erros fazem aparecer!
Na madrugada, que nem sempre é tão fria, meu corpo estremeceu... mas não é mais pensando em ti como habitualmente havia me acostumando... Aquele tremor de mãos e suores a flor da pele pertencem a quem nem mesmo sabe do nosso amor... É, amor!!!!
Eu amo você como a certeza de que todas as estações tem fim e que as vezes o ano tem mais dias e outros não, que fica num zigue-zaguear inconstante como a vida que escolhi compartilhar e te levar comigo!!! Seus olhares meio que “abertamente” e muito mais inconsequente me fizeram ir além do que poderia te dar... e lá se foi meu coração atrás do que não dava pé, e me ferrei! Isto é que vai ser o certo: trocar o grande amor, por uma aventura desventurada em que no raiar do sol o encantamento se esvai com o luar, não me parece tão oportuno continuar!!!
Acho que as quatro caixas de cerveja e meus cinco maços de cigarro não me fizeram bem!
Me sinto confusa e acho que estou sendo agora... as pessoas que vi hoje me deram nojo... eram limpas e cheirosas, pareciam felizes... mas parece que a felicidade não cabe mais aqui dentro de mim, entende... seu sorriso já não me alegra mais, fui clara???
Bem, acho que não estou sendo... vou deitar e dormir pra levitar com os cantos dos passarinhos! Sim, eles já cantam... nem percebi que nessa conversa a sós o dia lá fora vem... vai-te logo, pois o encanto está indo!!!
Feche a porta e me deixe um cigarro.... quero lembrar dos sublimes momentos a sós comigo mesma!


“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada"
Clarice Lispector